Cinco apontamentos do fim-de-semana de futebol internacional


1. Athletic supera Real Madrid em toda a linha. Grande vitória dos bascos sobre um Real Madrid em quebra anímica e física. O Athletic foi mais intenso apesar de vir de duas semanas e meia tremendamente desgastantes do ponto de vista competitivo. Só mesmo na parte final se notou o cansaço, porque até aí a equipa de Valverde havia sido inexcedível. Com os maestros Beñat e Mikel Rico aos comandos da orquestra e um endiabrado Iñaki Williams na ala esquerda, a formação basca fez um jogo de pares extraordinário, dificultando a circulação interior da equipa madridista e procurando reduzir o espaço de arranque para os perigosos laterais e alas da formação merengue. Os comandados de Ancelotti viram-se aniquilados numa das vertentes mais fortes do seu jogo, tendo havido um jogador que se ressentiu particularmente desse belíssimo comportamento táctico da formação de Bilbau: Toni Kroos. O médio internacional alemão foi uma sombra do jogador que tem encantado plateias por essa Europa e Mundo fora ao longo das últimas épocas. Falhou vários passes, mostrou-se mais agressivo (no mau sentido!) do que é costume e nunca foi capaz de conferir o equilíbrio de que a equipa necessita no meio-campo, contrabalançando o trabalho defensivo com uma saída de bola limpa e capaz de servir como primeira etapa da construção de jogo ofensivo dos madrilenos. Vida difícil para o Real nestes dias, por certo...

2. Líder Barça e a conexão Messi-Luisito. Tranquila vitória dos culés, como seria de esperar, aliás. Os últimos duelos entre o Barcelona e o Rayo Vallecano de Paco Jémez mostram-nos os enormes desequilíbrios entre duas equipas com propostas de jogo relativamente semelhantes mas com enormes diferenças de qualidade individual. O Rayo vai a Camp Nou jogar aberto, atitude louvável, tendo em conta que não sabe jogar de outra forma. E mesmo que soubesse, provavelmente sairia vergado a uma goleada na mesma. Do outro lado, fascinante jogo de Xavi e mais uma prova da qualidade estratosférica de Lionel Messi. Ele, associado a Luis Suárez, deu cabo de uma linha defensiva que mais parecia constituída por quatro baratas tontas (perdoem-me a expressão, mas foi muito assim). No final, uma vitória gorda (6-1) e a confirmação do novo líder em Espanha. Neste momento, são mesmo a equipa que melhores sensações deixa dentro de campo no futebol espanhol. Caso para dizer que este Barça "reaprendeu" a ser competitivo à entrada para a fase mais dura (e decisiva!) da temporada e tem-se dado bem com isso...

3. Um entretido Nápoles-Inter e uma Lazio de grande maturidade. Um dos bons jogos do fim-de-semana ocorreu no San Paolo de Nápoles, entre os napolitanos e o Inter. No final, um empate a dois que supõe um amargo de boca grande para uma equipa da casa que podia ter chegado ao intervalo a vencer por dois ou mais golos. Mancini procurou surpreender, adiantando a linha defensiva, mas o Inter ficava demasiado exposto à velocidade de jogadores como Mertens, Higuaín ou Hamsik. Este Nápoles é uma das melhores equipas da Europa em contra-ataque e neste jogo até a eficácia, ponto no qual costuma vacilar, foi interessante, em especial no segundo tempo. No entanto, a grande reacção final do Inter salvaguardou um ponto que tem um efeito positivo mais moral do que matemático para os nerazzurri. Caso para dizer que, no final, tanta vertigem acabou por dar em nada... Já no Olímpico de Roma, foi dia de assistir a mais uma exibição de mão cheia da Lazio. O resultado também esteve lá perto (4-0, faltou apenas um golo). Stefano Pioli deu um cunho muito particular a esta equipa, mas mantendo alguns dos bons pressupostos tácticos dos últimos anos, com treinadores como Delio Rossi, Reja ou Petkovic no banco. A equipa mostra enorme consistência defensiva, não se desequilibrando facilmente atrás e na frente mistura talento e irreverência jovem (Felipe Anderson) com maturidade, responsabilidade e conhecimento do jogo na área adversária (Klose ou Mauri). A portentosa exibição desta segunda-feira veio confirmar que há aqui candidato sério ao apuramento para a Liga dos Campeões!

4. Fékir e a razão da disputa França-Argélia. Nabil Fékir é um dos homens do momento no futebol francês. Alvo de uma acesa disputa entre as selecções de França e Argélia (pelos vistos, está agora mais virado para a primeira), o jovem atacante do Lyon somou mais dois golos e ganhou um pénalti na goleada que o OL impôs ao Montepellier, fora de casa, no último domingo (1-5). Fékir é um médio-ofensivo/segundo avançado muito potente no último terço do terreno, rápido, criativo e desequilibrante. Com a bola agarrada ao pé esquerdo, movimenta-se com grande argúcia e sabe encontrar os melhores espaços, conectando muito bem com os seus companheiros. Neste momento, é um dos jogadores mais talentosos da Ligue 1 e o seu futuro próximo poderá estar num dos grandes campeonatos. Dele e do seu companheiro de ataque, Alexandre Lacazette, que apesar de não estar a atravessar o seu melhor momento a nível individual, lá vai somando golos para a contabilidade pessoal: só no campeonato, já são 21!

5. Notável Colón-Boca. Jogo bonito no campeonato argentino. No final, ficou um empate a um e a demonstração de que há grandes espectáculos técnico-tácticos naquele país. O Boca, liderado por um imenso Nicolás Lodeiro (atravessa um momento de forma absolutamente soberbo), foi melhor no primeiro tempo e em parte dos últimos 45 minutos, mas o Colón encontrou saída através do pé esquerdo do estreante Guanca: que pontapé soberbo, de fora da área, a dar preciso empate aos de Santa Fe! Outro jogador em destaque neste início de época é o avançado xeneize Calleri: quanta qualidade e inteligência de jogo tem aquele rapaz, minha Nossa Senhora!

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