Num jogo agressivo e totalmente dominado pela equipa do Chile, ninguém mais do que Mauricio Isla merecia ser o herói. O lateral-direito chileno, autêntico pêndulo ofensivo durante toda a partida, estava no sítio certo, à hora certa, rematando pelo único "buraco" que parecia existir naquele momento. E assim a equipa da casa conseguiu chegar às meias-finais do "seu" torneio, num misto de sofrimento e conflito tão típico dos jogos entre velhos rivais sul-americanos.
O primeiro tempo no Estadio Nacional de Santiago foi interessante, sobretudo pela boa resposta chilena a uns bons primeiros dez minutos da turma "charrúa", que entrou bastante pressionante, condicionando a saída de bola dos chilenos. Diego Rolán e Cavani apertavam com Marcelo Díaz e tinham de ser os centrais a assumir essa saída. A partir do quarto-de-hora, a equipa de Jorge Sampaoli foi-se soltando, com um Valdivia activo embora nem sempre acertado no último passe e Aránguiz e Vidal a forçar como interiores, dando igualmente alguma amplitude ao jogo da equipa. Na frente, Vargas associava-se bem a um activo Isla na direita, enquanto Alexis pura e simplesmente não encontrava o melhor espaço para se mexer e poder ser decisivo. "Faltaram-me as pernas", assumiu no final, mas também lhe faltou um melhor enquadramento táctico (algo que já não é caso virgem em jogos mais apertados nesta competição). Do outro lado, o Uruguai tremia pelo lado esquerdo, no qual mandava um inspirado Isla. Fucile, pese embora tivesse o apoio de Cristián Rodríguez, sofreu demasiado (muito por culpa também de uma falta de rotinas e de minutos nos últimos tempos). Ao intervalo, duas estratégias distintas. A posse de bola (quase 80%!) do Chile não conseguia suplantar a impecável ocupação de espaços interiores da formação uruguaia.
O jogo começa por mudar em definitivo com a expulsão de Cavani, que até estava bastante activo no início da segunda metade. Com dez, o Uruguai perde toda e qualquer capacidade de se soltar em condições e o Chile começa a forçar cada vez mais. Alexis mexeu-se mais a toda a largura, Valdivia espalhava o perfume mas faltava sempre o toque decisivo. Sampaoli decidiu "meter a carne no assador", colocando de uma assentada Pinilla e Matías Fernández e por aí o jogo se mexeu. Mauricio pode não ter sido decisivo mas a equipa precisava de um "9". Matías não se inibiu na hora de forçar no um-para-um e foi de uma investida sua que surgiu o lance do golo. A bola sobrou para Mena, que tocou para dentro em Valdivia e este, com a mestria e visão de jogo dos grandes "10", assistiu Isla para o remate certeiro. Até ao final, o jogo não foi mais do que um lamentável chorrilho de agressões e discussões violentas entre todos os intervenientes (literalmente) que estavam dentro e fora do campo . O Chile ganhou, de forma justa, e o sonho de vencer a "sua" Copa América permanece intacto. Quanto à campeã em título, vai para casa mais cedo. Quiçá com Suárez a história pudesse ter sido um pouco diferente. Quiçá, quiçá...

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