Um resumo da primeira jornada do Mundial Sub-20




1. Portugal a impor respeito. Como seria de esperar, a selecção portuguesa entrou no Mundial em grande estilo, batendo uma selecção senegalesa sem a qualidade e consistência táctica das selecções europeias (e mesmo de algumas de outros continentes...). Marcando muito cedo, a equipa nacional mostrou ao que ia, pressionando alto e procurando explorar os espaços nas costas da defesa senegalesa. Com a seta Gelson Martins apontada à baliza contrária, Gonçalo Guedes e André Silva à procura do melhor espaço e dando consistência ao futebol ofensivo da Selecção lusa, Portugal foi criando algum perigo, embora o melhor período até tenha sido após o intervalo. Aí sim, surgiram oportunidades em catadupa, muitas delas na sequência de jogadas iniciadas ou construídas por Raphael Guzzo. André Silva trabalhou mas também perdoou, embora até tenha sido ele a arrumar com o jogo. Já no fim, alguns minutinhos também para Nuno Santos, outro dos jogadores desta equipa que mais promete do ponto de vista técnico. Uma boa amostra para começar.



2. Decepcionante Argentina e os talentos panamenhos. Um dos resultados mais surpreendentes da 1ª jornada da fase de grupos deste Campeonato do Mundo foi mesmo o empate da campeã sul-americana Argentina perante o Panamá (2-2). Os argentinos, guiados por um soberbo Ángel Correa, criaram belos lances de futebol ofensivo mas em termos de organização/transição defensiva foram um susto. Mérito também para a qualidade dos intervenientes do outro lado: extraordinária a exibição do miúdo Ismael Díaz (1997), avançado já chamado à selecção principal. Robusto, inteligente, com boa leitura de jogo, velocidade e técnica, foi um quebra-cabeças para a defensiva "albiceleste". Destacaram-se outros jogadores ainda como o "playmaker" Jhamal Rodríguez ou o avançado Carlos Small num conjunto muito interessante, equilibrado tacticamente e com bom toque de bola.

3. Um espectáculo de ataque vs um espectáculo táctico. Dois encontros podem servir para se fazer uma comparação interessante entre distintas formas de se abordar um jogo, tanto do ponto de vista táctico como da forma de atacar das equipas. Na madrugada de sábado para domingo, assistimos a um interessantíssimo duelo táctico entre Uruguai e Sérvia, com vitória algo injusta dos sul-americanos (1-0). O robusto e trabalhador meio-campo uruguaio teve uma difícil tarefa para travar Zivkovic e companhia mas lá os conseguiu ir emperrando. O jogo foi intenso, bem disputado e equilibrado, com a salvação uruguaia a estar entre as botas dos prodigiosos Pereiro e Castro e as luvas do imparável Guruceaga. Na madrugada seguinte, novo jogo empolgante, mas num contexto diferente e com uma história também ela muito distinta: em vez de equilíbrio, o caos puro. Nigéria e Brasil deram um "show" de ataque mas na hora de defender revelaram graves e comprometedoras fragilidades. No final, 4-2 para o Brasil, fruto das acções maravilhosas de moleques talentosos como Boschilia, Gabriel Jesus ou Judivan, mas com muito demérito da defesa africana. Provas de como o futebol pode ser belo jogado de diversas formas.



4. Mukhtar a provar valor e as boas sensações das selecções europeias. As equipas que transitaram do último Euro sub-19, para além de Portugal, vieram todas da Europa central e de Leste, muito por culpa também do contingente forte que já havia estado na prova disputada na Hungria no último ano. A campeã Alemanha cilindrou, como seria de esperar, as Ilhas Fiji, numa partida onde sobressaiu o benfiquista Hany Mukhtar, Jogando como "falso 9", com bastante liberdade e muito bem acompanhado por Brandt e Oztunali, o criativo fez gato-sapato da defesa contrária e apontou um hat-trick. Já das outras selecções europeias, destacaria a Hungria, pelo concludente triunfo sobre a Coreia do Norte (5-1), com o recém-descoberto goleador Mervo e o criativos Kálmár e Zsoter em plano de evidência. Por outro lado, Ucrânia e Áustria mostraram bons pormenores nas suas partidas mas não saíram dos encontros frente a Nova Zelândia (0-0) e Gana (1-1) com mais de um ponto. Enquanto os austríacos não ganharam por milagre, os ucranianos empataram de forma justa um encontro dominado por eles mas com vários sustos pelo meio. Sarnavaskyi, o guarda-redes, foi provavelmente um dos guarda-redes mais desastrosos que eu vi a jogar com os pés nos últimos tempos. Ainda assim, ficaram apontamentos interessantes de elementos como Chumak, Kovalenko ou Tatarkov.

5. As selecções da CONCACAF e os irreverentes extremos malianos. Honduras e Estados Unidos honraram a CONCACAF nesta primeira ronda mundialista com duas vitórias difíceis mas justas. Os hondurenhos venceram o Usbequistão por quatro bolas a três num jogo com tanto de espectacular como de aborrecido, sobretudo para os treinadores. Um autêntico desastre defensivo de parte a parte, com vários erros de monta, tão típicos nestas idades. Valeu a classe de jogadores como Benavente, Rochez, Álvarez ou Urinboev, trazendo ao jogo tentos de belo efeito. Já os States também cumpriram pela margem mínima perante o estreante Myanmar. Longe de terem feito uma exibição consistente, valeu-lhes a inspiração do talentoso Hyndman. Quanto ao México, podemos dizer que foi uma valente decepção, embora o jogo tenha sido condicionado pelas rigorosas expulsões consecutivas a dois jogadores da selecção tricolor. A derrota perante o Mali acaba por se aceitar, numa noite que teve dois protagonistas maiores: Gbakle e Adama Traoré. Os velocistas malianos, ambos dos franceses do Lille, dinamitaram a defensiva mexicana e desequilibraram o jogo a favor da equipa africana. Para seguir com muita atenção nos próximos encontros!

Comentários