Foto: UEFA.com
Grande arranque da Squadra Azzurra no Europeu francês, conquistando uma vitória concludente frente à talentosa Bélgica e confirmando que estamos perante uma potencial candidata a entrar na luta pela vitória final.
A equipa orientada por Antonio Conte, treinador que irá sair para o Chelsea no final desta competição, entrou em campo montada no habitual 3-5-2 à la Juve, com o trio de defesas da Vecchia Signora (mais o guarda-redes Buffon), dois alas que faziam o corredor todo, três médios na zona central e dois avançados sempre prontos para atacar o espaço e dar luta aos centrais belgas. A solidez táctica da equipa italiana ficou bem patenteada ao longo dos 90 minutos, com uma notável entreajuda em organização defensiva. O trio composto por Barzagli, Bonucci e Chiellini (o BBC à italiana) permaneceu praticamente inamovível, limpando quase tudo e não concedendo espaço aos atacantes belgas. Ficam os números, verdadeiramente impressionantes e que atestam bem a importância destes elementos para a grande exibição italiana: 16 desarmes e 13 intercepções na área da Itália, ajudando o experiente Buffon (também ele autor de uma bela exibição) a manter a baliza imaculada.
Mais adiante, a equipa fechava de forma agressiva e contundente. Eder era logo o primeiro homem a ajudar no trabalho defensivo, revelando um tremendo espírito de sacrifício em prol da equipa. Nos corredores laterais, víamos algumas vezes duas duplas a fechar o espaço: Parolo apoiava Candreva e Giaccherini dobrava Darmian. Ao centro, Daniele de Rossi, um dos testemunhos vivos da última grande conquista italiana (Mundial 2006) presentes nesta equipa, procurava garantir o equilíbrio e agressividade necessários a um bom jogo defensivo.
E a Bélgica? Pese embora subisse as suas linhas de pressão e fosse conseguindo condicionar ao máximo a saída de bola dos italianos, juntando muitas vezes os três médios da zona central (Witsel-Nainggolan-Fellaini), faltava depois capacidade para desequilibrar no um-para-um, através dos elementos mais preponderantes nesse sentido (De Bruyne e Hazard) e também capacidade de criação entrelinhas, com Fellaini a revelar a habitual inoperância para dar seguimento aos longos passes em profundidade que recebia de forma constante. A turma de Marc Wilmots, pese embora apresente alguns detalhes tácticos interessantes, revela pouca consistência e coerência na forma de jogar.
Mas não é só a jogar. Também a defender. Bem sabemos que defender com uma linha de quatro centrais de raiz não é nada fácil. No entanto, Wilmots devia preparar melhor os seus jogadores nesse sentido, dado que as insuficiências na coordenação da linha defensiva e no controlo da profundidade são notórias. Aliás, o primeiro golo italiano surge de uma falha de Alderweireld, que muda repentinamente de marcador e se lembra que tem Giaccherini nas costas, falhando a intercepção e deixando o jogador italiano à vontade para atirar à baliza, depois de receber um passe pirlesco de Bonucci,
No segundo tempo, a Bélgica subiu a intensidade de jogo, com o jogo a partir-se nos primeiros 15/20 minutos e ambas as equipas a disporem de oportunidades. Eden Hazard foi a face mais visível dessa melhoria belga, mostrando mobilidade e capacidade para assumir a condução de jogo. Do outro lado, e após um início mais louco de segunda parte, os italianos voltaram a reorganizar-se atrás, aguentando a forte pressão final dos Diabos Vermelhos (terminaram com cinco atacantes!) e procurando explorar as transições rápidas. Foi num lance destes aliás que iria surgir o golpe final dos Azzurri, numa finalização brilhante de Graziano Pellè, à meia-volta.
No final, triunfo muito saboroso para a Itália, que assim assume a liderança isolada do grupo logo à primeira jornada e se assume igualmente como uma potencial candidata ao título. Do lado belga, sobra o talento. A competitividade ao mais alto nível continua a faltar...
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