Foto: UEFA.com
"O esforço não se negoceia". A frase é retirada dos princípios do cholismo, uma espécie de estilo implementado por Diego Simeone nos últimos anos no Atlético de Madrid e que, pese embora não seja uma inovação futebolística, trouxe resultados ao emblema "colchonero". Ora, pensei nesta frase a propósito da exibição de Portugal frente à Croácia, no encontro que levou a equipa das Quinas até aos quartos-de-final do Euro 2016.
Como foi visível, o esforço é um pressuposto inegociável para Fernando Santos. A equipa defendeu de forma férrea, procurou ao máximo limitar o espaço aos criativos croatas e mostrou uma solidariedade imensa na maneira como se protegia das investidas da equipa balcânica (até Cristiano Ronaldo pressionava e tentava ajudar na organização defensiva). No entanto, e excepção feita ao contra-ataque decisivo do minuto 117, poucos foram os momentos relevantes de Portugal ao nível ofensivo, tanto em ataque posicional como em transições rápidas. O esforço e o trabalho defensivo não se devem negociar, mas há vários parâmetros de jogo onde esta equipa tem (muito) a melhorar...
Para começar, a equipa preocupou-se mais em condicionar o jogo da Croácia do que propriamente em construir o seu próprio jogo. Numa fase inicial, fez todo o sentido, embora os croatas também tenham entrado mais na expectativa do que no risco (apesar das percentagens mais elevadas de posse de bola). Depois disso, Portugal foi crescendo no jogo, a partir dos 20/25 minutos, mas sem conseguir ser demasiado perigoso ou acutilante. Os laterais, sobretudo Guerreiro, ainda foram procurando subir, mas Nani e Ronaldo andavam afastados dos centros de decisão e os médios com mais arrojo em termos ofensivos (João Mário e André Gomes) não se encontravam também tão perto assim desses espaços. E o que saltou à vista nos primeiros 45 minutos acabou por ser a tentativa de ambas as equipas se condicionarem, quase como não desejando ter a bola e o protagonismo no jogo.
Com a entrada de Renato Sanches no início da segunda parte, Portugal ganhou maior dinamismo e capacidade de condução de bola no meio-campo, mas isso não trouxe alterações significativas à forma de jogar dos comandados de Fernando Santos. Apesar de tudo, penso que foi interessante constatar o bom entendimento entre Adrien e Renato no centro do campo. Mesmo que ambos não sejam médios demasiado construtivos, possuem uma boa capacidade de passe e não descuram o trabalho defensivo (quanto a esse aspecto, a constante marcação de Adrien a Modric merecia um capítulo à parte).
A Croácia não caia, por outro lado, no risco do desposicionamento e esse era outro factor que dificultava a vida a Portugal nas saídas para o ataque em transição rápida. Já na parte final do jogo, e sem um único remate à baliza para ambas as formações, duas interessantes trocas de Fernando Santos e Ante Cacic: João Mário deu lugar a Ricardo Quaresma e Kalinic entrou para o lugar de um decepcionante Mandzukic. Mais à frente, também Pjaca entrou em campo e aí sim o jogo deu impressão que se podia agitar. O rápido ala do Dinamo Zagreb deu uma profundidade e capacidade de ruptura que tinha faltado ao ataque croata e no prolongamento podia ter transformado o jogo.
Se os croatas mexeram com o jogo e podiam ter efectivamente chegado à vantagem, acabou por ser a equipa portuguesa a vencer numa das poucas situações de transição organizada de que dispôs. Quaresma roubou uma bola no espaço defensivo, Cristiano lançou Renato, este conduziu em velocidade como o faz tão bem, deixou já no limite para Nani, este assistiu de forma peculiar CR7 para um remate e o resto é história. Quaresma levou Portugal ao rubro mas esta vitória em esforço não pode servir para esconder as insuficiências desta equipa a sair para o ataque. A manta foi curta neste jogo, pois. Mas é preciso criar mais oportunidades para sair em velocidade, neste tipo de jogos em que a equipa "dispensa" o ataque posicional. Sob pena de nem o inegociável esforço nos valer no final...
A Croácia não caia, por outro lado, no risco do desposicionamento e esse era outro factor que dificultava a vida a Portugal nas saídas para o ataque em transição rápida. Já na parte final do jogo, e sem um único remate à baliza para ambas as formações, duas interessantes trocas de Fernando Santos e Ante Cacic: João Mário deu lugar a Ricardo Quaresma e Kalinic entrou para o lugar de um decepcionante Mandzukic. Mais à frente, também Pjaca entrou em campo e aí sim o jogo deu impressão que se podia agitar. O rápido ala do Dinamo Zagreb deu uma profundidade e capacidade de ruptura que tinha faltado ao ataque croata e no prolongamento podia ter transformado o jogo.
Se os croatas mexeram com o jogo e podiam ter efectivamente chegado à vantagem, acabou por ser a equipa portuguesa a vencer numa das poucas situações de transição organizada de que dispôs. Quaresma roubou uma bola no espaço defensivo, Cristiano lançou Renato, este conduziu em velocidade como o faz tão bem, deixou já no limite para Nani, este assistiu de forma peculiar CR7 para um remate e o resto é história. Quaresma levou Portugal ao rubro mas esta vitória em esforço não pode servir para esconder as insuficiências desta equipa a sair para o ataque. A manta foi curta neste jogo, pois. Mas é preciso criar mais oportunidades para sair em velocidade, neste tipo de jogos em que a equipa "dispensa" o ataque posicional. Sob pena de nem o inegociável esforço nos valer no final...
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