Foto: UEFA.com
Quando éramos crianças, a expressão que costumávamos utilizar para desvalorizar os feitos épicos dos nossos amigos a dar toques na bola ou a fazer alguma artistice era "oh assim, até a minha avó...". Na verdade, até já crescidos continuamos a usar essa expressão. Veio-me à cabeça a propósito da épica reviravolta da Inglaterra frente ao País de Gales no dérbi britânico da segunda jornada da fase de grupos deste Europeu.
De facto, com dois laterais como Walker e Rose, qualquer equipa pode acreditar que tem hipóteses até ao fim. Ambos rubricaram uma exibição estupenda, lançando-se constantemente em acções ofensivas, dando largura e profundidade e aguentando um ritmo de jogo diabólico sem "ais" nem "uis" até ao final. Foram eles os rostos visíveis de uma Inglaterra esforçada e incapaz de desistir mesmo perante uma adversidade como um livre de Bale (com ajudinha de Hart). Os ingleses dominaram, como seria de esperar, o duelo frente aos vizinhos galeses, jogando com linhas subidas, com Rooney a assumir o papel de organizador, com Dele Alli sempre a oferecer uma linha de passe e Lallana a vir mais por dentro, deixando todo o corredor direito para Kyle Walker. Apesar de tudo, o sólido sistema defensivo dos galeses, com oito homens metidos atrás (mais o guarda-redes), foi aguentando as investidas com solidariedade e por culpa do craque do Real Madrid conseguiu até chegar em vantagem ao intervalo.
Para a segunda parte, sem Sterling e Kane, substituídos por Sturridge e Vardy, a Inglaterra massacrou a defensiva galesa, pressionou, forçou até à exaustão e conseguiu a reviravolta já no final. Foram precisamente os homens entrados ao intervalo a resolver esta partida: primeiro Vardy, num desvio na pequena área, numa jogada que começa em Sturridge e já sobre o apito final, foi Sturridge a lançar a Inglaterra para a liderança isolada do grupo B, após uma jogada de combinação entre jogadores ingleses. Hodgson mexeu bem na equipa, sim, e acabou a ser feliz. Mas diga-se que o mérito foi sobretudo dos jogadores e não tanto de alguma implementação de última hora promovida pelo seleccionador inglês. E quando digo jogadores, não falo só dos heróis vindos do banco: falo das locomotivas laterais, do capitão Rooney e do miúdo Rashford, também vindo do banco e que acabou por mostrar coisas bonitas no pouco tempo de que dispôs.
Comentários
Enviar um comentário