Breves da primeira jornada da última fase de qualificação asiática para o Mundial




1. Coreia do Sul: da tranquilidade ao susto em apenas quatro minutos. Vitória complicada da selecção orientada por Uli Stielike perante uma China competitiva e que poderá vir a ter uma palavra a dizer nas contas do apuramento. Organizada no 1-4-2-3-1 do costume, a Coreia teve dificuldades para superar a férrea e recuada organização defensiva chinesa (com uma linha de 5 atrás), chegando ao golo apenas através de uma bola parada lateral (auto-golo, ainda para mais). Após o intervalo, curiosamente, a China até entrou melhor, subindo um pouco as linhas, mas esse atrevimento iria revelar-se fatal: a equipa passou a ser mais concessiva atrás e Son Heung-Min e companhia aproveitaram para fazer das suas, colocando os coreanos a vencer por três golos de diferença. No entanto, em apenas quatro minutos, dois golos dos chineses puseram em sobressalto a equipa da casa, que viveu período de grande intranquilidade até bem perto do fim. Já deu para ver que esta equipa coreana, apesar da proposta positiva e dos talentos que tem na frente, ainda não reage convenientemente a socos no estômago. Um dos reflexos da juventude desta equipa...

2. Geynrikh ao resgate. Teve de ser ele: Aleksandr Geynrikh, avançado já trintão e uma das referências maiores da história do Uzbequistão, entrou na segunda parte para resolver um jogo que se estava a tornar num quebra-cabeças, perante a modesta mas organizada selecção da Síria. Os movimentos inteligentes, a capacidade física e o sentido de baliza do atacante dos cazaques do Ordabasy transformou positivamente uma equipa até aí amorfa e incapaz de criar lances de real perigo em ataque organizado. Quando Sergeev e companhia não estão afinados, tem de se caçar com o bom velho Geynrikh...

3. Irão vence a primeira batalha. Como referiu Carlos Queiroz no final da partida, o duelo entre Irão e Qatar foi uma autêntica «batalha». Jogo tenso, com várias quebras, poucas oportunidades de golo claras mas com detalhes tácticos interessantes - bom de ver esta selecção do Qatar a querer crescer futebolisticamente, com toque de bola (mesmo tendo em conta os vários «naturalizados» da equipa...). O Irão agarrou-se a Dejagah e deixou que o seu espírito rebelde o conduzisse no primeiro tempo, embora sem grande sucesso. Após o intervalo, e com as mudanças operadas na equipa por Queiroz, notaram-se melhorias. Alireza Ghoochanedjad agitou o ataque e fez com que também se soltasse o melhor de Azmoun e Jahanbakhsh. E na parte final lá acabaram por aparecer os golos, depois de 90 minutos de muita luta, sangue e suor. Ficou a promessa de que vamos ter várias batalhas épicas até ao dealbar da qualificação...

4. Simplicidade australiana. Para os Socceroos não foi preciso esticar muito a corda para somar os três primeiros pontos num caminho que se espera bem sucedido até à Rússia. O 1-4-4-2 losango de Postecoglou portou-se bem, apesar de ter faltado algum dinamismo e intensidade à Austrália durante os primeiros 45 minutos. No entanto, a formação oceânica foi mais intencional e precisa na segunda parte, em mais uma demonstração de bom futebol de Leckie ou Rogic. Do outro lado, o Iraque soube competir, mas não foi mais além por culpa das suas limitações. Normal.

5. A decepção Japão frente ao mago Omar e ao «louco» Ahmed. Realmente, se há coisa frustrante neste belo desporto que é o futebol, é a falta de eficácia quando se tem tanto caudal ofensivo. Que o diga o Japão na surpreendente derrota caseira frente aos Emirados Árabes Unidos: pressão alta, laterais constantemente subidos, quase sempre na mesma linha, mas uma incapacidade para rematar jogadas claras de golo. Falta claramente um «9» com o chamado «killer instinct» à turma nipónica, porque criadores de jogo não faltam. Do outro lado, a formação do Médio Oriente mostrou uma solidariedade defensiva e uma entreajuda notáveis, adindo a essas características a magia de Omar Abdulrahman em posse e a incisão de Ahmed Khalil na frente de ataque (até um penálti «à Panenka» ele teve a ousadia de bater). Uma grande vitória de uma selecção que promete surpreender!

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