Cinco notas sobre o fim-de-semana de futebol internacional

1. O Sevilha de Sampaoli é coisa séria. Bela amostra dos andaluzes no último domingo perante o fortíssimo Atlético de Diego Pablo Simeone. Domínio com bola, variações constantes entre os corredores laterais e as zonas interiores (nas quais Vitolo e Vázquez iam marcando diferenças) e uma injecção de adrenalina dada pelas movimentações estilo-pêndulo dos laterais Mariano e Escudero. E se no primeiro tempo, os sevilhistas ainda concederam chances ao Atlético de Madrid (espaços em profundidade, leia-se), no segundo tempo a evolução táctica da equipa de Jorge Sampaoli foi mais visível. As trocas do Cholo não funcionaram e tornou-se numa complicação parar um N´Zonzi mais solto e um Nasri tremendamente dinâmico. E juntando a estes a fluidez dos restantes médios e o apoio ofensivo dos laterais, o protagonismo foi do Sevilha. Triunfo justíssimo.

2. A lesão de Iniesta. E agora, quem assume o lugar? Uma das más notícias do fim-de-semana foi indiscutivelmente a lesão do maestro Andrés Iniesta em Valência. Mais para lá da importantíssima (e polémica) vitória dos catalães, importa reflectir sobre os dois meses que Luis Enrique vai ter de passar sem poder contar com o talento e critério do melhor jogador espanhol dos últimos anos: quem salta para o «onze»? Denis Suárez parece um dos candidatos a ocupar o lugar, pela forma como se move entre o centro e a ala, pela criatividade e qualidade no passe. No entanto, e sem qualquer tipo de chauvinismo, não me parece um jogador tão colaborativo em termos defensivos quanto André Gomes. O português pode dar aquele ar de «falso lento» mas é um jogador que entende bem o jogo e que possui critério na condução e passe. É um jogador elegante, que não sendo extraordinariamente resolutivo, consegue ainda assim ser um dos jogadores mais habilitados para as funções em questão. E atenção, porque há sempre Arda à espreita, embora aí falemos de um jogador de características distintas...

3. Lição de Conte a Mourinho. Imagem forte do fim-de-semana foi sem dúvida aquela de José Mourinho, dando conta do desagrado pelos festejos efusivos de Antonio Conte após o 4-0 ao próprio. Bem, todos conhecemos um e outro demasiado bem, para chegar à conclusão de que num lado há excesso de euforia, tanto típico de boa parte do povo transalpino e do outro um mau perder característico de quem tem (ou tinha) o hábito de ganhar muito. Do embate entre Chelsea e Manchester United, sobressai a diferença na preparação táctica entre uma e outra equipa. Os «blues» foram assertivos desde os primeiros segundos, «morderam» nas marcações, como se diz na gíria e mostraram ao que iam. Os «red devils», por outro lado, deixaram à vista as tremendas lacunas defensivas (individuais e colectivas) e uma falta de ideias e alternativas no momento ofensivo. No Chelsea, brilharam Matic e Kanté, dois médios sólidos como uma rocha a defender e simples e audaciosos a atacar, o talentoso Eden Hazard, mais solto no 1-3-4-3 que Conte apresentou nesta partida, Pedro Rodríguez, elemento que tem vindo a ganhar preponderância nesta equipa e que foi muito importante nos movimentos de ruptura e Victor Moses, reconvertido em ala direito «para toda a obra» nesta partida. Mas se as individualidades se destacaram, foi porque o colectivo trabalhou de forma exemplar ao longo dos 90 minutos...

4. Um líder muito Nice. Mais uma semana que passa, mais uma semana na qual o Nice se mantém na frente do campeonato francês, com quatro pontos de vantagem sobre o vizinho Mónaco e já seis sobre um PSG que teima em procrastinar rumo a um título que parece garantido em teoria. A questão é mesmo essa: já só o é em teoria, no terreno de jogo vai ter de suar bastante para superar uma concorrência atrevida. Este fim-de-semana, triunfo essencial em Metz (2-4), com Pléa a provar que é um competidor a sério para o craque Mario Balotelli. Mas a tarde, de domínio completo e futebol ofensivo dos «niçois», teve outros intérpretes em plano de evidência: Belhanda, por exemplo, terá feito a melhor exibição desde que ingressou no emblema da Côte d´Azur. Cyprien voltou a confirmar as óptimas sensações que já havia deixado em Lens e nos últimos jogos em Nice. E que dizer do jovem central Sarr, de apenas 17 anos? Impressionante a serenidade e a qualidade de passe. Fisicamente, é também muito evoluído para a idade. Apesar de tudo, ainda vai cometendo alguns lapsos. Tudo a seu tempo...

5. O espectáculo do campeonato argentino. Belíssimo encontro entre o futuro participante na Libertadores, Atlético Tucumán e o gigante Boca Juniors (2-2). Pode não ter sido a partida mais bela de sempre, mas teve emoção, qualidade técnica e táctica e provou que os treinadores argentinos estão cada vez mais próximos do nível médio europeu. Se o Xeneize teve o protagonismo com bola durante boa parte do tempo, o Atlético contra-atacava com sagacidade, envolvendo bem os laterais e os médios-ofensivos no processo. Uma bela contenda, no qual uma vez mais ficou provado que Pavón pode muito bem vir a ser um dos craques da Albiceleste num futuro a médio prazo...

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