Decálogo do fim-de-semana de Qualificação Europeia para o Mundial

1. Uma boa reacção pós-perda e um Quaresma sempre em sintonia com os colegas. Melhor o resultado que a exibição no triunfo de Portugal sobre a Letónia. Ainda assim, e apesar das dificuldades em encontrar a profundidade e o desequilíbrio nos corredores laterais até à entrada de Ricardo Quaresma, foi interessante ver a forma como Portugal reagia à perda, recuperando muitas bolas ainda no meio reduto adversário. Nesse particular, destaque para William Carvalho, muito astuto na pressão e preenchimento de espaços. Depois, o resto foi Quaresma (sem esquecer o importantíssimo golo do mesmo William e o bis de Cristiano Ronaldo, claro está).

2. Granit Xhaka, o guia espiritual da Suíça. Vitória simples da selecção helvética sobre a modesta mas organizada selecção das Ilhas Faroé. Festival de remates da equipa de Vladimir Petkovic, sem o destino desejado. Um encanto, por certo, ver Granit Xhaka jogar futebol. Coloca a bola onde quer, como quer e quando quer. Visão de jogo e requinte no passe. Futebol perfumado num líder invencível, que no pós-Portugal ainda não convenceu muito...

3. Hungria preguiçosa mas de pontaria afinada. Já a Hungria, outra das adversárias de Portugal no Grupo B, não teve de rematar o que a Suíça rematou para marcar quatro golos. Aliás, o despertar até foi bastante lento e letárgico, com a selecção de Andorra (sempre durinha, como já se tinha visto aliás em Aveiro) a fazer os primeiros remates (sem perigo) do jogo. Quando Dzsudzsák, Gera e companhia começaram a mexer com o jogo, este ficou decidido. Para o lado dos favoritos, naturalmente...

4. Uma Inglaterra com cabeça. Mesmo sem fascinar, boa vitória da Inglaterra sobre uma Escócia que ainda apresenta problemas de consistência na ideia de jogo. Três golos de cabeça marcaram a vitória dos Three Lions, numa noite na qual voltámos a ver Rooney jogar como médio de criação, nas costas de Sturridge, embora tenha estado algo desaparecido durante grande parte do encontro. Quem aproveitou a oportunidade para brilhar foi Adam Lallana, sempre activo, com amplitude nos movimentos atacantes e aparecendo em zona de finalização.

5. A melhor estreia para Gnabry. Tremendo arranque do extremo do Werder Bremen na Mannschaft, apontando um hat-trick numa noite na qual nem Gómez, nem Gotze nem sequer Thomas Muller conseguiram enviar uma bola o fundo das redes de San Marino. Serge Gnabry é um jogador que pode ser uma alternativa importante nesta equipa, pois a sua velocidade, verticalidade e capacidade de definição acrescentam algo de diferente a um conjunto recheado de óptimos médios-ofensivos (embora quase todos com tendência a jogar mais por dentro...).

6. O fogo e arte de Lewy e Grosicki derrotaram o muro de Bucareste. Ao fim de 14 jogos de qualificação em casa, primeira derrota para a Roménia, completamente justificada perante uma Polónia pressionante, autoritária e incisiva desde o princípio do encontro. Com um Grosicki endiabrado e um Lewandowski sempre pronto a fazer mossa nas balizas adversárias, esta equipa vai bem lançada rumo ao Mundial russo. O 1-4-1-4-1/1-4-3-3 alternativo de Adam Nawalka veio para ficar e parece poder pegar de estaca. Com tantos e tão bons médios (Krychowiak, Zielinski ou Linetty), há que tratar de rentabilizar esse novo sistema.

7. Ghazaryan. Notável a colocação de remate do maritimista no golo que valeu à selecção da Arménia uma improvável reviravolta face ao Montenegro (depois de chegarem a perder por 0-2 ao intervalo). Com muita classe, visão de jogo e critério na hora do remate, é pena nem sempre ter o «foco» exigido em alta competição. Porque, de resto, tem tudo para ser um dos melhores jogadores arménios da actualidade (e um dos melhores médios criativos da nossa Liga!).

8. Chocolate belga. 1-3-4-3 de «Bob» Martínez a conhecer surpreendente e admirável afirmação no espaço de apenas de cinco dias. Testado no amigável com a vizinha Holanda, em Amesterdão e posto em prática onde importava, na recepção à Estónia em jogo de qualificação mundialista, o sistema enche as medidas desta equipa: os defesas controlam os espaços e podem ter o auxílio de um quarto elemento (Meunier, lateral adiantado), o meio-campo ganha uma capacidade de asfixia notável e os atacantes movem-se com liberdade dentro da responsabilidade. Vertical, alegre, dinâmica e eficaz, a turma belga, em modo Diabo Vermelho em termos literais, foi devastadora para com uma Estónia que foi mais «santinha» do que é costume. Danos colaterais de uma debulhadora ofensiva...

9. A vida num grupo de «loucos». Quatro candidatos a um lugar numa das disputas mais intensas da Qualificação Europeia. Falo do Grupo D, no qual a Irlanda conseguiu uma importantíssima vitória fora, frente à Áustria e a surpresa do último Europeu, Gales, deixou escapar dois pontos face a uma esforçada Sérvia já na parte final do jogo. Para já, é impossível apontar uma favorita entre as quatro primeiras, mas é um dado adquirido que as melhores equipas até aqui estão na frente (Irlanda e Sérvia, por esta ordem).

10. Será Belotti o novo «9» de Itália? Ou reformulando a questão: estará Belotti pronto para assumir o estatuto de «9» da selecção italiana? Para já, é um ponto a favor é o facto de ser um dos melhores goleadores sub-23 dos principais campeonatos da Europa. Rápido, frio na cara do golo mas quente na forma de jogar, o que se traduz numa energia constante a atacar os espaços, incisivo em finalizações ao primeiro toque, forte no jogo associativo e com bom jogo aéreo, Andrea Belotti tem tudo para ser a (ou uma das) referência(s) ofensiva da Itália nos próximos anos. As asas de grande avançado estão bem à vista, agora é deixá-lo voar...

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