Há jogadores absolutamente imprescindíveis para que uma ideia ou um estilo resultem. Quer pelas suas características individuais extremamente resolutivas, pelo entendimento táctico do jogo ou inclusivamente pela adaptação mais fácil a uma função num determinado sistema. Penso neste detalhe quando vejo o Rio Ave, agora treinado por Luís Castro, com e sem Filipe Augusto em campo. Depois de um período longo de ausência por lesão, o médio brasileiro de 23 anos, emprestado pelo Sporting de Braga aos vilacondenses, entrou no timing certo na equipa. Criterioso com bola, coordena bem a saída de bola a partir de trás, fazendo evoluir o jogo do Rio Ave numa primeira fase de construção. Canhoto que gere habilmente o jogo com os pés e vira bem o centro do jogo, pode aparecer inclusivamente mais subido, tanto em acções de pressão como em subidas com bola ou movimentos de apoio ofensivo, podendo também arriscar no capítulo do remate (e fá-lo bem).
Filipe Augusto foi um elemento essencial nas primeiras três vitórias de Luís Castro ao leme do emblema de Vila do Conde (Vitória FC, Tondela e Arouca), não só pelos dois golos marcados, mas sobretudo pelo que acrescentou à equipa em termos tácticos. Na partida de ontem, frente ao Nacional. o técnico rioavista optou por deixar o internacional sub-23 brasileiro no banco, de forma a poder gerir a sua condição física numa fase complicada da temporada e sobretudo tendo em conta a lesão recente deste elemento. E, em abono da verdade, a equipa ressentiu-se da sua ausência, realizando uma primeira parte algo pastosa e lenta no momento de saída de bola, apenas com melhores períodos enquanto Krovinovic promovia movimentos de recuo para pegar mais no jogo.
No entanto, após a entrada de Filipe Augusto ao intervalo, para o lugar de um pouco inspirado Tarantini, fez-se logo sentir o perfume do futebol do brasileiro. E nem foi na condução de bola ou na elaboração de uma jogada ofensiva - foi mesmo na sequência de um pontapé de canto, batido de pé esquerdo, directo à cabeça de Roderick Miranda. O golo de Krovinovic, praticamente logo de seguida, deixou a questão meio «arrumada» e o Rio Ave assumiu uma postura de controlo, com Filipe Augusto a assumir papel importante.
No fundo, a imagem mais significativa nem é a dos segundos 45 minutos com Filipe Augusto. É mesmo a da ausência de clarividência e boa organização na saída de bola do Rio Ave sem ele nos primeiros 45 minutos. Isso sim deixou marca. Cá está: muitas vezes, os melhores jogadores acabam por se fazer sentir mais quando não estão em campo...

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