Danilo vs Assis: a expressão da importância do pivot-defensivo no relvado do Dragão



Foto: Estela Silva/Lusa



Foi um dos melhores jogos do campeonato até aqui. De um lado, um FC Porto rejuvenescido, reabilitado de um período de empates que deixaram mais marca do que muitas derrotas (sobretudo pela ausência de bolas nas balizas adversárias...). Do outro o Desportivo de Chaves, equipa órfã de treinador mas com a mesma filosofia e plano de jogo que a levou até a um aprazível sétimo lugar. Com as cartas todas em cima da mesa, e dispondo praticamente dos melhores «onzes» possíveis, portistas e transmontanos só poderiam disputar um jogo de máxima intensidade e exigência, longe da crença de que seria mais um passeio para o poderoso Golias face ao recém-promovido David.

Os primeiros 45 minutos foram dos forasteiros: bem organizados, como de costume, no espaço defensivo, os flavienses esprairaram-se com relativo à vontade no meio-campo contrário, aproveitando as debilidades na transição defensiva do FC Porto. Mesmo com a vantagem conquistada ainda no primeiro quarto de hora, o Chaves não baixou em demasia o bloco e saía sempre com 4/5 unidades para o contra-ataque, revelando uma coordenação absolutamente notável na execução deste tipo de jogadas. Do outro lado, o dragão, ansioso e incomodado com visitante tão assanhado, procurava jogar com o bloco adiantado, mas raramente encontrando soluções por dentro e não abrindo como devia com os virtuosos extremos Corona e Brahimi (mais metidos numa zona interior, dando o flanco aos laterais). Após o intervalo, o FC Porto transfigurou-se: passou a saber usar melhor a amplitude e profundidade dos laterais e extremos, circulou com maior velocidade e com a entrada do «gigante» Depoitre ganhou a unidade de que necessitava para criar superioridade entre os centrais contrários. E assim, apesar de ter sido a muito custo, lá conseguiu chegar à reviravolta...

Esse volte-face no resultado acabou por ter um protagonista inesperado: Danilo Pereira. O campeão europeu deu uma «sapatada» no empate que atormentava os «azuis-e-brancos», mas foi muito mais do que isso. Danilo tem sido um dos jogadores mais preponderantes do FC Porto de Nuno Espírito Santo. Elemento de considerável sagacidade táctica, «arruma» a casa com mestria a partir da primeira linha de meio-campo e serve de pedra-basilar ao início de construção dos «dragões», incrustando-se não raras vezes entre os centrais para assumir a saída de bola. É comum vê-lo a optar nesses momentos pela linha de passe mais óbvia, mas também o vemos já a virar o centro do jogo com a confiança dos grandes centro-campistas da actualidade ou a sair em ruptura, qual cavalo pujante, levando a bola e os marcadores adversários consigo. Sem ser um jogador de técnica destacável, cresce a olhos vistos no plano táctico.



Foto: Move Notícias


Porém, ontem à noite, Danilo teve um adversário à altura: Rafael Assis. O baixinho mas robusto trinco do Chaves voltou a fazer das suas. Assis «encarna» por vezes o espírito de um Matuidi e vai a todas, mostrando uma disponibilidade física tremenda, astúcia posicional, que lhe permite desarmar várias vezes os seus oponentes e uma certa rapidez, que lhe permite também recuperar a posição quando a perde ou discutir um lance com um adversário que surja numa área adjacente àquela de onde parte. Depois, na hora de soltar a «redondinha», não se mostra desajeitado, lançando bons passes para adiante ou tocando mais curto, mas sempre com critério. O índice de recuperações de bola por jogo de Assis é um dos melhores da Liga e não é à toa que o ingresso na nova equipa do ex-timoneiro (SC Braga) está a ser fortemente equacionado...

Em suma, de um confronto com tantas histórias e incidentes, diria que a melhor metáfora para descrever o compromisso, o ritmo alto e a beleza deste jogo está no duelo particular entre estes dois jogadores, autênticos poços de força e fibra, elementos fundamentais para os seus treinadores e espelhos do que são os jogadores quiçá mais sobrevalorizados (e muitas vezes, bem!) do futebol moderno. Uma vénia a Danilo e outra a Assis, portanto!

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