Uma dezena de médios-centro sub-21 que têm vindo a fascinar a Europa na presente temporada

A época 2016/2017 tem servido para que vários jovens com menos de 21 anos se vão destacando nos principais campeonatos europeus (e também nalguns mais periféricos). Na zona nevrálgica do terreno e de uma equipa, o meio-campo, têm vindo a despontar autênticos talentos, puros-sangue como há muito não se via e outros jogadores que parecem preparados para assumir a continuidade daqueles que se têm vindo a revelar ao longo das últimas temporadas. Sendo assim, passo a apresentar dez dos médios-centro/defensivos que mais se têm vindo a destacar no futebol europeu:



 Alexander Hassenstein/Bongarts

Naby Keita (RB Leipzig): Uma das figuras do surpreendente líder da Bundesliga. Internacional guineense de 21 anos, este médio-centro destro de estatura média e físico robusto tem vindo a tomar de assalto os campos do principal campeonato alemão. Pujante, forte no desarme e com uma capacidade física descomunal, alia a essas características uma inteligência de jogo acima da média e critério ao nível do passe. Além de sair bem em condução, sabe virar o centro do jogo com um passe mais longo, participa bem no processo de construção e arrisca na meia-distância (só esta temporada já leva quatro golos). Tecnicamente, é um jogador muito interessante, sendo um dos médios com mais fintas na Bundesliga. Já associado a vários «tubarões», não restem dúvidas de que estamos perante um dos melhores jogadores africanos dos próximos anos e possivelmente um dos melhores médios do mundo.


David Ramos/Getty Images Europe


Marcos Llorente (Deportivo Alavés): Emprestado pelo Real Madrid ao histórico clube basco, Llorente, produto da formação do clube merengue, é um dos melhores recuperadores de bola no campeonato espanhol na temporada actual. Muito forte em termos posicionais, lê o jogo como poucos, antecipando-se ao adversário de forma rápida e pragmática, embora também o saiba desarmar sem se mover da posição onde se encontra. É um médio bastante intuitivo e completo na vertente defensiva do jogo, mas logo depois de recuperar a bola demonstra uma classe imensa na hora de sair a jogar ou de deixar a bola num companheiro para prosseguir com a construção de jogo. Tecnicamente é um jogador dotado, incluindo ao nível do «regate», a palavra espanhola para «drible». Forte no capítulo do passe e inteligente a descobrir companheiros mais adiantados, pode ainda assim estender a sua influência a zonas mais adiantadas do terreno de jogo. Uma coisa é certa: com e sem bola, é um dos jogadores jovens mais inteligentes do mundo futebolístico na actualidade.




Stuart Franklin/Bongarts


Julian Weigl (Borussia Dortmund): Já internacional pela equipa principal da Mannschaft, é um dos meninos queridos do futebol alemão e, por sua vez, do treinador Thomas Tuchel. Quarto jogador com mais passes completados até aqui na Bundesliga e um dos jogadores com maior percentagem de passes acertados (91%), Weigl é uma ode à magistralidade. Possivelmente o jogador mais semelhante ao melhor Sergio Busquets jovem, aquele que fascinou a Europa quando Pep Guardiola o lançou com sucesso na equipa principal do Barcelona. Defensivamente, controla os espaços como se tivesse um radar na cabeça, sabendo esperar o timing certo para efectuar um desarme. Muito inteligente e perspicaz, revela qualidade no desarme e uma velocidade de raciocínio com e sem bola acima da média. Com o esférico nos pés, então, é uma maravilha, joga como se estivesse de cadeirinha. Toca curto, inicia a construção, posiciona-se de forma astuta para receber a bola e logo ou volta a meter num companheiro que esteja mais próximo ou então abre o jogo através de um passe longo (e que bem sabe ele virar o centro do jogo). Ofensivamente, tem vindo a progredir, embora se defina como um jogador de corte defensivo. Não arrisca demasiado no capítulo dos remates, tendo marcado o único golo na temporada em Alvalade, num disparo colocado soberbo de fora da área. Alto, tem vindo a progredir também ao nível do jogo aéreo. Excepcional.



Marco Luzzani/Getty Images Europe



Manuel Locatelli (AC Milan): Grande revelação dos rossoneri na presente temporada, ainda tem muito a aprender, mas sem dúvida que o que tem vindo a demonstrar, com apenas 18 anos de idade, é suficiente para gerar entusiasmo e expectativa entre os adeptos milanistas e do futebol em geral. Projecto de regista interessante, tem-se destacado sobretudo na vertente defensiva, recuperando bolas com critério e sabendo ganhar em velocidade aos adversários. Nas camadas jovens do Milan e da selecção transalpina, já ia mostrando detalhes interessantes com a bola nos pés, virando bem a direcção do jogo, transportando e distribuindo jogo, qualidades que também tem vindo a revelar a espaços no principal escalão, embora por vezes ainda arrisque um bocadinho na hora de soltar a redondinha. Por vezes, parece algo desacompanhado no papel de único médio-centro/defensivo, daí termos visto em jogos recentes Bonaventura aproximar-se mais de Locatelli nos momentos defensivos. E atenção que ele também pode aparecer na frente, dado que possui qualidade na definição. Veremos a evolução deste miúdo nos próximos meses/anos, mas é bem possível que estejamos perante um exemplo de «next big thing» do futebol italiano.



AFP



Wylan Cyprien (Nice): Formado na proveitosa «cantera» do Racing Club de Lens, Cyprien tem sido um dos nomes fortes do líder do campeonato francês, o Nice de Lucien Favre. «Box-to-box» robusto e que assume bem o jogo a partir de trás, demonstra uma capacidade notável para transportar a equipa para a frente, tanto em condução como associando-se aos restantes companheiros do meio-campo. Rápido, controla bem a bola e possui qualidade ao nível do passe, habitualmente de pé direito. Depois, surge com critério na carreira de tiro, demonstrando uma meia-distância assinalável, cobrando inclusivamente livres directos de forma perigosa. Defensivamente, sabe reagir à perda e pressionar, posicionando-se algumas vezes como médio mais recuado, apesar de ser um jogador de formação mais ofensiva. Apenas chegou agora à selecção sub-21 francesa, esperando-se que dê continuidade a este óptimo momento e possa continuar a crescer rumo à elite do futebol europeu...



 AFP / Belga / YORICK JANSENS / Belgium OUT


Onyinye Ndidi (Genk): Uma pérola que despontou nos nigerianos do Nath Boys, tendo assegurado a transição para o futebol belga depois de se ter revelado ao serviço da selecção nigeriana de sub-20, em particular no Mundial da Nova Zelândia (jogando na maioria das vezes até como defesa-central). Possante, alto e com passada larga, Ndidi, que irá completar 20 anos no próximo dia 16, destacou-se a temporada passada no Genk e na nova época assumiu-se que seria já um dos «porta-estandartes» do conjunto orientado por Peter Maes. Na verdade, a evolução continua: neste momento, é o jogador com mais desarmes e intercepções na fase de grupos da Liga Europa. Sabe utilizar muito bem a sua potência para abarcar uma parcela de terreno considerável na zona central do meio-campo, mostrando-se um jogador sufocante na marcação defensiva. Depois de recuperar, habitualmente sabe o que fazer, podendo deixar num companheiro para prosseguir com a jogada ofensiva ou arrancando até à segunda linha do meio-campo, aproveitando precisamente essa pujança potenciada pelo seu físico de puro-sangue. Além de transportar bem a bola até à frente, possui uma boa meia-distância, atrevendo-se na hora de rematar à baliza contrária. Diz-se que o Leicester City o tem garantido no mercado de Janeiro, por uma soma a rondar os 17,7 milhões de euros, segundo a imprensa belga. A ideia, à partida, é que Ndidi possa preencher o vazio deixado pela partida de N´Golo Kanté. Se defensivamente, está próximo do nível do francês (embora sem a consistência normal num jogador mais experiente...), ofensivamente tem potencial para ser mais relevante do que ele. Veremos.


 Marco Rosi/Getty Images Europe


Sergej Milinkovic-Savic (Lazio): Médio alto (1,91m), poderoso do ponto de vista físico e com capacidade para desempenhar várias funções (embora jogue preferencialmente entre as posições «8» e «10»), este internacional sérvio tem vindo a rubricar um arranque de temporada estrondoso na Lazio. Destro, embora utilize a perna canhota decentemente, possui uma boa meia-distância, aparecendo sobretudo com perigo à entrada da área contrária. Apesar da sua estatura, é dono de uma técnica interessante, utilizando-a sobretudo nos momentos de distribuição de jogo, revelando habilitações ao nível do passe curto, médio e longo. A nível defensivo, demonstra também qualidades, entre as quais a entreajuda nas marcações e o vigor nos desarmes. Tacticamente e em termos de intensidade de jogo, tem vindo a progredir de forma considerável no sempre duro e competitivo calcio.


Clive Brunskill/Getty Images Europe


Adrien Rabiot (PSG): Actualmente de fora, a contas com uma lesão, vinha sendo uma das peças-chave do campeão francês neste início de temporada e, em boa verdade, a equipa tem sentido a sua falta nos últimos encontros. Médio elegante na condução de bola, parece sentir-se mais cómodo a jogar como «8» do que como «6». Canhoto, que recorre com alguma frequência a apoios com a destra, possui boa visão de jogo, fazendo mover a equipa com um passe incisivo, tanto mais curto ou médio como numa abertura mais longa. Dono de boa técnica, consegue ler o jogo como poucos na sua idade do alto do seu 1,89m. A estatura fá-lo ter igualmente um jogo aéreo interessante, o que ajuda defensivamente. Apesar de algum risco assumido em acções próximas da sua área, pode jogar mais recuado, dado sabe comandar as operações. Também nos momentos defensivos, se mostra um jogador disponível e forte no desarme. Se continuar nesta trajectória ascendente, pode vir a ser um elemento importante no futuro próximo da selecção francesa.



Dean Mouhtaropoulos/Getty Images Europe



Youri Tielemans (Anderlecht): Internacional belga versátil e dinâmico em termos ofensivos, sempre teve uma maturidade fora do comum, dado que aos 19 anos já vai na quarta temporada ao serviço do histórico Anderlecht. Tielemans pode ocupar todas as posições do meio-campo, sendo que se situa preferencialmente na zona ofensiva. Destro com bom remate de meia-distância, mostra habilidade com os dois pés, carregando a equipa às costas como quem transporta um piano. Como se tivesse um radar na cabeça, Tielemans descobre linhas de passe com enorme facilidade, lendo o jogo como poucos «miúdos» da sua idade. A nível defensivo, apoia com critério e busca fechar os espaços e ser agressivo, apesar de ser um jogador mais vocacionado para o momento ofensivo. Assistente nato e bom rematador, leva dez golos e cinco assistências na presente temporada. O poder de resolução é alto, está praticamente no ponto para dar o salto para uma grande liga...


 Dean Mouhtaropoulos/Getty Images Europe



Lewis Baker (Vitesse): Grande temporada de um dos jogadores que o Chelsea decidiu colocar a crescer na «incubadora» de Arnhem. Entre campeonato e taça, este dinâmico médio criativo de zona central soma nove golos e duas assistências em 18 partidas. Números impressionantes num jogador com um sentido de baliza bem patenteado. Rápido na condução de bola, conciso a perfurar a linha intermediária contrária e a aparecer na carreira de tiro, Lewis Baker é um entusiasmante projecto de médio-centro/ofensivo, com condições para poder deixar marca no futebol inglês e em particular na selecção dos Três Leões nos próximos anos. Com boa visão de jogo e uma qualidade técnica notória, distingue-se pela colocação no disparo, habitualmente de pé direito, embora possua também um bom pé esquerdo. Pode também jogar mais encostado ao corredor direito, tirando partido da sua mobilidade e critério no passe e associações com os companheiros. Mais-valia também em lances de bola parada, por certo. Internacional sub-21 inglês, estará certamente entre os convocados para o Europeu da categoria, a disputar na Polónia em Junho do próximo ano...

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