Um «onze» de revelações da CAN



Hervé Koffi (Burkina-Faso/ASEC Mimosas): O guardião-revelação da 31ª edição da CAN, apesar da grande prestação do camaronês Fabrice Ondoa. Corajoso, arrojado nas saídas da baliza (algo que o levou a ser comparado a Manuel Neuer), elástico, com bom jogo de pés e competente entre os postes, demonstrou que tem potencial para chegar a um campeonato de topo do futebol europeu. Aos 20 anos, vai despontando no mítico ASEC, o principal clube formador da Costa do Marfim e um dos maiores exportadores de talento africano para o Velho Continente. Olhando para o nível exibicional deste jovem guarda-redes no Gabão, a transição África-Europa estará para acontecer brevemente...

Collins Fai (Camarões/Standard de Liège): Agarrou a titularidade à 2ª jornada e não mais a largou, até à conquista final. Lateral competente no momento defensivo, não arrisca tanto no ataque como Oyongo (o lateral-esquerdo) mas apoia com critério, dando largura e alguma profundidade e assinando alguns cruzamentos de perigo. De estatura baixa e físico musculado, têm algumas dificuldades nas bolas aéreas, compensando com a boa colocação e a resistência ao choque. Aos 24 anos, e com algumas oportunidades no Standard (17 jogos até aqui esta temporada, actuando entre o lado direito e o lado esquerdo da defesa), atravessa um bom momento na carreira, esperando-se que possa continuar a crescer no futebol belga nos próximos anos...

Michael Ngadeu (Camarões/Slavia Praga): O patrão da defensiva camaronesa, um dos sectores responsáveis pela tremenda competitividade dos Leões Indomáveis. Central ambi-destro, de 1,90m, revela-se quase insuperável no jogo aéreo, limpando vários lances de cabeça na própria área. Dono de um bom sentido posicional, impetuoso na marcação e no desarme, revela ainda critério na saída de bola, podendo jogar um pouco mais adiantado no terreno, como trinco. Já com 26 anos, poderá ter a possibilidade de sair para um panorama mais competitivo do que a liga checa no final da presente época.

Ahmed Hegazy (Egipto/Al Ahly): Ainda jovem passou pelo futebol italiano (Fiorentina), sem o sucesso esperado. Agora, aos 26 anos, é um dos melhores centrais do campeonato egípcio e de todo o futebol africano. Imperial no controlo da sua área de jurisdição, associa um bom «timing» de entrada aos lances ao critério na hora de tirar a bola aos rivais. Rápido, forte nas alturas e no um-para-um, foi sem dúvida um dos defesas mais regulares desta CAN. Quem sabe se com as prestações no Gabão terá garantido o regresso à Europa...

Yacouba Coulibaly (Burkina-Faso/RC Bobo Dioulasso): Lateral-esquerdo de 22 anos, surpreendeu pelo bom nível e competência demonstradas ao longo da competição, tendo em conta que se trata de um jogador que ainda actua no principal campeonato burquinês. Apesar de nalguns lances ainda revelar uma certa ingenuidade, mostrou quase sempre competência no momento defensivo, defendendo bem o seu espaço e ajudando até a fechar mais por dentro. Empenhado, com capacidade de se projectar no ataque e qualidade no passe, provou que tem potencial para atingir patamares mais elevados na sua carreira...

Thomas Partey (Gana/Atlético de Madrid): Aparição recente na equipa nacional ganesa, aproveitou a CAN para se consagrar de pleno direito ao serviço dos Black Stars. Utilizado na grande maioria do tempo a partir do banco no Atlético, assumiu um papel de relevo no meio-campo de Avraam Grant, numa prova na qual o Gana ficou entre os quatro melhores da competição. Robusto, tacticamente consistente, equilibrado no momento defensivo, eficaz no desarme e arguto na condução de saídas rápidas e no passe, parece ter ganho em definitivo um lugar inquestionável no «onze» da selecção. Aos 23 anos, está ainda numa fase inicial da sua afirmação, mas os indicadores deixados nas últimas semanas foram francamente positivos (inclusivamente para Diego Pablo Simeone!).

Blati Touré (Burkina-Faso/Omónia Nicósia): Apenas entrou na equipa na fase decisiva do torneio mas bem a tempo de mostrar algumas das qualidades que já o haviam consagrado nas segundas equipas do Rayo Vallecano e do Recreativo e agora nos cipriotas do Omonia. Médio de vocação ofensiva, seguro no passe e com amplitude de jogo, revela critério a distribuir jogo e capacidade de reacção à perda da bola. De aparência frágil embora com pujança física, pode arriscar um pouco mais ainda no passe, ficando a sensação por vezes de que joga demasiado pelo seguro. Com 22 anos, é um dos valores mais interessantes para o futuro da selecção burquinesa.

Christian Bassogog (Camarões/Aalborg): Justamente eleito como o melhor jogador da prova, foi, indiscutivelmente, uma das grandes revelações da CAN 2017. Depois de um bom arranque de temporada na liga dinamarquesa, mereceu a confiança de Hugo Broos, ganhando um lugar na convocatória para a grande montra de selecções em África. Com 21 anos completados em Outubro passado, Bassogog é um atacante que pode actuar a toda a largura da frente ofensiva. Canhoto, partiu habitualmente da ala esquerda no 1-4-2-3-1 dos Leões Indomáveis. Rápido, hábil, forte no um-para-um e incisivo a explorar diagonais, foi um autêntico quebra-cabeças para as defensivas adversárias. Apesar de ter apontado só um golo, foi um jogador relevante em toda a manobra ofensiva do conjunto camaronês. Estará para acontecer a mudança para um grande campeonato...

Denis Bouanga (Gabão/Tours): Emprestado pelo Lorient ao Tours, da Ligue 2, foi uma das poucas notas positivas da desastrosa campanha dos anfitriões. Extremo destro, parte habitualmente da ala esquerda, executando muito bem o movimento de fora para dentro e mudando a velocidade de jogo a um ritmo estonteante. Dinâmico, criativo e com boa qualidade de passe e remate, revelou-se como uma das boas novidades desta Taça das Nações Africanas. Com apenas 22 anos, parece estar destinado a pular para a Ligue 1 em breve, mesmo que o Lorient não consiga a manutenção...

Robert Ndip També (Camarões/Spartak Trnava): Avançado de 22 anos, ganhou a titularidade no «onze» camaronês de forma absolutamente surpreendente. Corpulento, com qualidades no jogo aéreo e uma mobilidade útil, oferece bons apoios frontais e acrescenta capacidade de luta ao ataque. Por norma, executa bem, apesar de não ter sido tão incisivo nesta CAN. Ficou ainda assim na mira dos «scouts» de alguns clubes da linha média do futebol europeu...

Junior Kabananga (RD Congo/Astana): Provavelmente, para não dizer com toda a certeza, o melhor jogador da fase de grupos. Goleador da competição, com três golos apontados, este possante atacante de 27 anos aparecia com grande incisão em zona de finalização, aproveitando o seu poder de explosão e critério na finalização, habitualmente de pé esquerdo (embora também tenha facturado de cabeça). Solidário, apoiava o lateral no momento defensivo e depois aparecia na frente, assumindo o peso da equipa em muitas jogadas de ataque. Ainda jovem passou pelo futebol belga, o que leva a acreditar que esse poderá ser um destino a ter em conta num futuro não muito distante...

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