Oito notas do fim-de-semana de futebol internacional

1. Bernardo e Kylian. Kylian e Bernardo. Mais uma jornada da Ligue 1, mais um «show» privado da jovem dupla que vai endiabrando o futebol europeu. Bernardo Silva, o fantasista, constrói, conduz, distribui, quase como se tivesse um íman para prender a bola no pé. Um poeta do jogo. Já Kylian Mbappé é pura vertigem, mas daquela controlada, disciplinada por um treinador que sabe tirar o melhor proveito dos seus jogadores (Leonardo Jardim). As comparações com Thierry Henry, dada a sua velocidade, o critério nas desmarcações e a excelência técnica na definição, fazem cada vez mais sentido...

2. A máquina de golos de Dortmund. Cuidado Benfica. O Borussia Dortmund utilizou a recepção deste fim-de-semana ao Bayer Leverkusen (que despediu Roger Schmidt no final da partida), para treinar a pontaria com vista ao desejo de reviravolta na eliminatória europeia face aos «encarnados». Seis golos marcados, com as habituais variantes ofensivas e um misto de sábias jogadas em ataque posicional e outras de ataque rápido/contra-ataque. O jovem Ousmane Dembélé lá vai continuando a formatar a sua lenda, Aubameyang mantém-se insaciável, Pulisic soma créditos em cada entrada em campo e a única notícia adversa (além dos golos sofridos) foi mesmo a lesão de Reus. Veremos como será na quarta-feira...

3. Southampton de mente aberta. Um dos grandes jogos do fim-de-semana foi o Watford-Southampton. Mais um exemplo da tremenda qualidade ofensiva dos «saints» e, ao mesmo tempo, das fragilidades a nível defensivo do conjunto orientado por Claude Puel. De destacar, a soberba actuação do trio Redmond-Gabbiadini-Tadic, três jogadores rápidos, inteligentes e técnicos, sendo também eles um seguro de eficácia para o seu treinador. Sem eles, o Southampton não competiria tão bem...

4. Ramadan Sobhi. Finalmente se integrou na Premier League. O seu jeito de assumir a iniciativa, misturando virtuosismo e velocidade, começa a provar valor numa das ligas mais difíceis do futebol mundial. Este fim-de-semana, no triunfo claro do Stoke ante o Middlesborough, foi um dos jogadores em foco. Em jogadas de um-para-um, em mudanças de velocidade ou associando-se aos seus companheiros de equipa, promete vir a ser um jogador importante para os «potters» daqui em diante.

5. O herdeiro de Kanté. Desesperava o Leicester por um jogador que se pudesse assemelhar ao papel que N´Golo Kanté desempenhou na magnífica campanha da última temporada e, ao fim de um semestre, ele chegou. Wilfried Ndidi, jovem médio nigeriano que já ia brilhando no futebol belga, ao serviço do Genk, chegou e logo tomou o posto «maldito» da equipa na presente época. Com uma disponibilidade física notável, uma colocação posicional acima da média, critério na saída de bola e eficácia no desarme, era o jogador que faltava para conferir equilíbrio táctico a uma equipa muito mais permeável do que na fantástica última temporada. Ah, e por comparação com o francês que agora milita no líder Chelsea, tem outra pujança, saindo em longas cavalgadas e atrevendo-se na meia-distância. Mais do que uma mera promessa, é já uma certeza!

6. O regresso do melhor Inter. Uma das boas-novas do fim-de-semana futebolístico europeu. Depois da derrota caseira frente à Roma, um jogo bem efectivo na deslocação, habitualmente difícil, a Cagliari. Com a máquina bem oleada e um centro do campo onde é Gagliardini quem cada vez mais ordena, os «nerazzurri» desforraram-se do mau resultado da semana anterior, com um futebol afirmativo, vertical e sempre virado para o golo. Stefano Pioli sabe, de facto, rentabilizar como poucos talentos como Perisic, Candreva, Banega ou Icardi...

7. Cluj-Viitorul. Na senda do visionamento de alguns encontros recentes do campeonato romeno, este fim-de-semana pude voltar a verificar a performance do líder Viitorul, na difícil viagem até Cluj-Napoca. Num jogo equilibrado, prevaleceu a efiácia, defensiva e ofensiva, dos anfitriões. Com os laterais portugueses Tiago Lopes e Camora em bom nível, o CFR jogou de forma personalizada ante um rival que, pese embora tenha melhores individualidades, não teve sucesso na habitual proposta de jogo apoiado, desta feita. De facto, nisto do futebol, há jogos e jogos...

8. Dérbi de Belgrado. Jogo apaixonante, de fervor máximo e rivalidade acérrima, em campo e nas bancadas. Terminou com uma igualdade a uma bola, com destaque para o golo precedido de irregularidade do Estrela Vermelha. De resto, no plano táctico, foi um encontro bem disputado, com o Partizan a entrar melhor, a sofrer a resposta do rival e a ganhar preponderância nos segundos 45 minutos, ao ponto de ter merecido indiscutivelmente a igualdade final. Em termos individuais, destaque para o sóbrio jogo dos impetuosos centrais Abraham Frimpong (Estrela Vermelha) e Nikola Milenkovic (Partizan), para as investidas dos laterais-direitos dos dois lados (Petkovic no Estrela, Vulicevic no Partizan) e para o duelo aceso a meio-campo, com vários despiques físicos e técnicos de nível interessante. Afinal, vale sempre a pena espreitar um dos dérbis mais intensos do planeta...


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