Foto: FotbollDirekt.se
País com uma forte vocação futebolística, ainda que sem muitos craques de proa, a Suécia tem fama de produzir talentos das mais diferentes proveniências, jogadores cujos pais, muitas vezes, emigraram para a Escandinávia em busca de melhores condições de vida. Zlatan Ibrahimovic, a referência maior do futebol sueco na última década e meia, é possivelmente o exemplo mais próximo desse tipo de profissionais, nascidos e criados muitas vezes em bairros problemáticos, em ambientes difíceis e sem os meios financeiros de vários colegas da mesma idade.
O caso de Sead Haksabanovic não se aproxima do protótipo do jogador crescido no meio da adversidade. Criado no seio de uma família de classe média, de origem albanesa, cedo começou a jogar nas escolinhas do Halmstads, um dos históricos do futebol sueco. Entrou com apenas seis anos para o clube e somente nove anos volvidos, já se estreava pela equipa profissional, tornando-se no jogador mais novo de sempre a actuar pelo Halmstads no principal campeonato da Suécia. Essa pesada derrota caseira frente ao Norrkoping (0-3), num ano que viria a ser de despromoção, ficava para a história, e não apenas por maus motivos.
A expectativa com este jovem era enorme, tanto mais que passados quatro meses, ele viajou para Inglaterra, para efectuar testes nalguns dos principais clubes britânicos (Manchester United, Liverpool, Manchester City, Chelsea e Aston Villa). Estávamos em 2015, Sead tinha completado 16 anos no mês de Maio e já era visto como uma das coqueluches da Allsvenskan. Até ao final do ano, completaria mais dez partidas com a equipa principal do Halmstads, lançando-se para um 2016 que viria a ser de sonho...
A explosão na Superettan, as selecções jovens e o regresso ao principal escalão
Com a descida ao segundo escalão do futebol sueco, pareciam estar «reservados» mais minutos para Haksabanovic. Num campeonato mais lento e no qual há menor ímpeto físico (apesar de muitas equipas ainda privilegiarem um futebol da «velha escola» escandinava), a sua técnica e velocidade poderiam fazer toda a diferença. O experiente Jan Jonsson, treinador do Halmstads, desceu com a equipa mas manteve a fixação pelo jovem prodígio das escolas do clube. E, verdade seja dita, em boa hora apostou no jovem internacional sueco de sub-17 (que, por certo, falhou o Europeu da categoria, disputado no ano passado). Logo nos primeiros jogos da época, na Taça sueca, se percebeu que estava ali um elemento com potencial para ajudar os colegas a resolver jogos e decidi-los também ele mesmo. Mais adiante, ao longo do campeonato, foi peça fulcral na operação bem sucedida do rápido regresso do Halmstads à Allsvenskan.
De facto, os números, para um miúdo de 17 anos, impressionam: nove golos e nove assistências num total de 37 jogos disputados ao longo do ano. Mas mais do que os números, impressionava também a clarividência, a capacidade resolutiva, o facto de passar/rematar igualmente bem com ambos os pés, a técnica refinada no drible e a versatilidade para jogar em todas as posições do meio-campo ofensivo. Móvel, com uma cobrança de bolas paradas assinalável, boa visão de jogo e elegância na condução, Haksabanovic voltava a fascinar os «scouts» de meia Europa com as suas exibições.
Portanto, as expectativas geradas para o arranque de 2017 eram já consideráveis. Começando pela habitual competição de início de ano na Suécia, a Taça (Svenska Cupen), na qual Sead somou um golo e uma assistência em quatro partidas disputadas, passando pelo apuramento para o Europeu de sub-19, no qual foi peça determinante da qualificação sueca para essa competição e entrando numa nova era na Allsvenskan, já consagrado como jogador profissional de pleno direito (apesar de só completar 18 anos no próximo mês de Maio!). Estreou-se a marcar na liga sueca este fim-de-semana e os mais exigentes até serão capazes de dizer que o golo já chega com dois anos de atraso. Parte de uma geração muito interessante de sub-18 e sub-19 no futebol sueco, da qual fazem parte o já badalado Isak ou nomes como Beijmo, Svanberg ou Ingelsson (sobre os quais se irá escrever muito este ano, certamente...), Haksabanovic tem tudo para chegar a ser figura de proa da Suécia pós-Ibrahimovic.

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